24 novembro 2014

INFORMATIVO SEMANAL

24 a 28/11

*Lembramos que, na próxima segunda-feira, 24/11, os alunos irão ao cinema. Neste dia, deverão vir com uniforme, trazer, previamente assinada, autorização para a professora, trazer mochila, normalmente, e lanche para levar. O pagamento é de R$15,00 (transporte e ingresso). Todos os alunos irão no matutino. Não haverá aula no vespertino.

E dia 27/11, os alunos do 4º e 5º anos irão à Fundação dos Palmares, no turno matutino, contribuindo com o valor de R$ 5,00, para o transporte.

*Atenção! Os alunos do 2º ano A e B, nas próximas terça e quarta, (25 e 26/11), terão aplicação da Provinha Brasil. Na quarta, não terão Escola Parque. Deverão vir para a Escola Classe 111 Sul e terão aula normal. (somente os alunos do segundo ano).

*Dia 19/11 aconteceu o Dia Letivo Temático. Definimos propostas para 2015 e analisamos o calendário oficial. Enviaremos, para casa, a avaliação institucional do 2º semestre e pedimos retorno na próxima semana. Esta é mais uma oportunidade da comunidade participar e opinar. Em breve, enviaremos o resultado.

*Favor confirmar a participação da família no almoço do dia 12/12 de encerramento do ano. Retornar o bilhete enviado para casa.

22 novembro 2014

Repensando a bebida na lancheira das crianças

Foto por PhotographyByPaul, Flickr, Licença Creative Commons

     Todos os dias, Joãozinho leva para a escola uma caixinha de bebida longa vida em sua lancheira. O surgimento desse tipo de produto no mercado facilitou a vida da mãe de Joãozinho, pois as embalagens longa vida individuais têm o tamanho perfeito para o lanche da escola.

     Ótimo, não? Hmmm, mais ou menos. Infelizmente, a proliferação de bebidas industrializadas em caixas cartonadas longa vida traz consigo praticidade, mas também baixo valor nutritivo, potenciais problemas de saúde e um alto custo ambiental.

        Três das bebidas encontradas facilmente em caixinhas cartonadas e muito apreciadas pelo público infantil são suco de fruta (e suas variações), bebida à base de soja e água de coco. Todas elas, contudo, apresentam problemas em relação ao valor nutritivo.

     Para serem transformadas em ‘longa vida’, isto é, durarem muito tempo nas prateleiras dos supermercados sem refrigeração, as bebidas precisam passar por um processo de esterilização (normalmente, a ultrapasteurização, isto é, submeter a bebida a altíssima temperatura e logo depois esfriá-la). Isso precisa ser feito para matar bactérias que podem fazer mal à saúde, mas o processo possivelmente mata também boa parte dos nutrientes.

     Além da esterilização, muitos sucos e bebidas de soja têm adição de açúcar, um ingrediente sem valor nutricional e altamente viciante. A água de coco longa vida, por sua vez, contém aditivos necessários para sua conservação (a água de coco de uma marca famosa com sede no Nordeste, por exemplo, contém sacarose e conservador 223). A bebida de soja tem ainda o agravante de ser produzida a partir da leguminosa plantada majoritariamente em larga escala e com sementes trangênicas, cujas consequências para a saúde humana são desconhecidas.

     Ou seja, todas essas três bebidas populares entre as crianças têm desvantagens do ponto de vista nutricional.

      Além disso, há vários problemas associados à embalagem longa vida em si que precisamos considerar. O primeiro desses problemas se refere à saúde de quem toma a bebida. Embalagens cartonadas são forradas com uma camada de plástico interna que evitam que o líquido dissolva o papel. Há cada vez mais evidências de que o plástico libera toxinas no contato com o que está armazenando, isto é, a bebida longa vida. Essas toxinas seriam, consequentemente, ingeridas junto com a bebida, isto é, pelo Joãozinho do início do texto, diariamente.

     Outro problema associado à embalagem cartonada se refere ao custo ambiental da produção e do descarte da mesma. Uma embalagem longa vida é composta por seis camadas, incluindo camadas de plástico (polietileno de baixa densidade), uma camada de papel e uma camada de alumínio, criando uma barreira que impede a entrada de luz, ar, água e microorganismos.

     Essa multiplicidade de camadas dificulta muito a reciclagem da embalagem. Na realidade, a embalagem, tecnicamente, não pode ser reciclada. Uma caixa de bebida longa vida nunca virará outra caixa de bebida, o que caracterizaria o processo como reciclagem verdadeiramente. Ela pode, apesar de ser um processo bem complicado, ser reaproveitada pela indústria para virar outros produtos. Mas isso não é reciclagem. A demanda por matéria-prima virgem para a fabricação de novas caixas longa vida (isto é, papel, alumínio e plástico, todos eles com alto custo ambiental) continua existindo.

     Para mim, o custo ambiental, juntamente com os problemas nutricionais, faz com que o consumo de bebidas em embalagem cartonada não se justifique.

     O que colocar, então, na lancheira da escola? A opção mais óbvia é água geladinha em uma garrafa térmica. Essa opção é saudável, barata, prática e ecológica. Uma alternativa legal é fazer um refresco de uva. As feiras orgânicas e as lojas de produtos naturais costumam vender suco de uva orgânico em garrafas de vidro grandes. Em vez de mandar uma caixinha longa vida de bebida industrializada, que tal diluir um pouco de suco de uva com água e armazenar a bebida em uma garrafinha térmica de aço inox? Algo semelhante pode ser feito com ‘gelo de fruta’. Congele pequenas porções de frutas em formas de gelo. Adicionada à garrafinha térmica, a pedra de ‘gelo de fruta’ derrete até a hora do lanche e deixa a água aromatizada.

     Sim, dá um pouco mais de trabalho do que pegar uma caixinha de suco no armário da cozinha. Mas as opções acima são saborosas e MUITO mais saudáveis dos que as bebidas industrializadas. Além disso, as bebidas em garrafa térmica produzem pouquíssimo lixo. No caso do refresco de uva, por exemplo, a garrafa de vidro que armazena o suco pode ser reciclada de verdade (e não só reaproveitada) infinitas vezes, ao contrário do material da embalagem longa vida.

     Em tempo: mesmo o suco natural, feito em casa, deve ser tomado com parcimônia, por conter muita frutose e poucas fibras (o melhor é comer a fruta). Se seu filho leva suco caseiro na lancheira, o ideal é diluir com água. Estudos têm demonstrado que o consumo regular de sucos, mesmo os naturais, pode aumentar o risco de diabetes. Se sua família tem o hábito de beber sucos com frequência, recomendo fortemente a leitura deste post do blog Potencial Gestante, que apresenta uma coletânea de artigos sobre a ingestão de sucos, seus valores nutricionais e as consequências para o nosso organismo.

REFERÊNCIAS E MAIS INFORMAÇÃO:

http://www.treehugger.com/corporate-responsibility/in-what-world-can-you-call-tetra-pak-green.html

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130830_fruta_diabetes_rp.shtml

http://potencialgestante.com.br/por-que-evitar-sucos/

20 novembro 2014

Canto para Oxum

Quando eu era criança
Minha mãe cantava pra mim
Uma canção yorubá (grupo étnico africano, que habita a Nigéria)
Cantava pra eu dormir
Uma canção muito linda
Que o seu pai te ensinou
Trazida da escravidão
E cantada por seu avô
Era assim:
oro mimá
oro mimaio
oro mimaio
abadô ieieo
Essa canção muito antiga
No tempo da escravidão
Os negros em sofrimentos
Cantavam e alegravam seu coração
Presos naquelas senzalas
Dançando ijexá (nação africana formada pelos escravos vindos de Ilesa na Nigéria)
Aquela canção muito linda
Com os versos em yorubá
Era assim:
oro mimá
oro mimaio
oro mimaio
abadô ieieo
Cantava quando era criança
Fiquei homem eu não me esqueci
Aquela canção yorubá
Que não sai de dentro de mim
É assim:
oro mimá
oro mimaio
oro mimaio
abadô ieieo
e deus é o ma
deus é o maior
deus é o maior
me ajudou a vencer
oro mimá
oro mimaio

Dicas de livros infantis para celebrar a cultura afro-brasileira

Denise Guilherme

19 novembro, 2014

Uma das qualidades da boa literatura é a sua capacidade de nos fazer entrar em contato com diferentes culturas a partir das suas histórias, conhecendo alguns elementos que compõem a identidade de um povo. Além de nos aproximar de hábitos, valores e costumes, alguns livros nos permitem adentrar o diverso, o estranho, aquilo que não compreendemos e que precisamos acessar, se quisermos ampliar o nosso olhar e vermos o mundo como um espaço de liberdade e convivência entre os diferentes.

Esse é o mote dessa seleção organizada pela nossa equipe. Nela, escolhemos obras especiais: coletâneas de narrativas provenientes da tradição oral de diferentes povos africanos, biografias de importantes líderes e pequenos contos que abordam a questão da identidade da criança afro-brasileira de maneira sensível e inteligente.

Boa leitura!

A Taba - http://loja.ataba.com.br/destaques/origem-africana.html

http://leituraemrede.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/11/senhortartaruga_KristinaRuell-1050x690.png

19 novembro 2014

Os alunos do 1o  "A" já se preparam para o Natal!!
Confeccionaram uma linda guirlanda e escolheram poses criativas para mostrar o trabalho realizado.

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18 novembro 2014

Com a chegada da professora Karla para atuar na Biblioteca, o espaço já começa a ser ocupado pelas crianças no recreio.

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Em 2015 o projeto Caminhos da Leitura promete tomar novo fôlego!

15 novembro 2014

CARDÁPIO QUINZENAL

17/11 à 28/11

SEGUNDA

17/11

TERÇA

18/11

QUARTA

19/11

QUINTA

20/11

SEXTA

21/11

Arroz com carne cozida

Biscoito Cream Cracker com leite e Achocolatado

ESCOLA PARQUE

Arroz com peixe ao molho

Macarrão ao molho de carne moida

SEGUNDA

24/11

TERÇA

25/11

QUARTA

26/11

QUINTA

27/11

SEXTA

28/11

Arroz com strogonoff de carne

Bolinho de coco com leite e achocolatado

ESCOLA PARQUE

Macarrão, iscas de carne ao molho vermelho e salada

Arroz com carne em cubos e milho verde

*Cardápio sujeito a alteração conforme envio de alimentos.

Que delícia de receita! - transp

12 novembro 2014

INFORMATIVO SEMANAL

17/11 a 21/11

*Informamos que nos próximos dias 17/11 e 18/11 (segunda e terça) haverá aplicação da prova A.N. A (Avaliação Nacional de Alfabetização) na turma do 3º ano. Ressaltamos que os aplicadores são do Governo Federal e não é permitido ao aluno que chega atrasado, fazer a prova. Solicitamos que os pais observem a pontualidade e evitem atrasos, pois não será permitido acesso aos alunos após início das avaliações.

*Passaremos a oferecer mais um lanche aos alunos no final da aula (manhã) e início do turno vespertino, devido a grande quantidade de carne enviada pela SEDF com data de validade até dezembro.

*Dia 19/11(quarta-feira) às 9 horas haverá Dia Letivo Temático. O Conselho Escolar convoca Assembleia Escolar, neste dia, para planejamento do ano letivo de 2015.

*Aproveitamos a oportunidade para lembrar aos pais da contribuição voluntária da APM. Pedimos que os pais colaborem o mais rápido possível, pois, devido ter queimado o portão elétrico da escola que, inclusive, estava colocando em risco a segurança dos alunos, todo o dinheiro em caixa foi utilizado e a direção teve que complementar com recursos próprios, até que a APM possa restituir para garantir a segurança das crianças. Quem, ainda, não pôde colaborar, solicitamos que procurem a direção e façam doação de qualquer valor, pois, necessitaremos de reserva para programar o próximo ano letivo com a maior tranquilidade possível.

*Na oportunidade, informamos aos pais que no dia 12/12 ocorrerá a nossa tradicional festa de encerramento do 4º bimestre. Na semana seguinte haverá atividades de reforço e o ano letivo encerra-se em 22/12, com Conselho de Classe Participativo. Portanto, os pais que necessitarem viajar e se organizar, poderão fazê-lo a partir do dia 12/12, onde após a festa, entregaremos os resultados finais.

*A turma do 5º ano terá festa de despedida dia 15/12, mas os alunos indicados pelo professor regente deverão continuar frequentando as aulas, normalmente.

*Estamos recebendo doação de produtos em bom estado para realizar Bazar Natalino (artesanato, bijuteria, roupas boas e limpas, sapatos, bolsas etc.). Também faremos bazar permanente durante o horário de recreio de pequenos brinquedos e lembranças no valor entre R$ 0,50 e R$ 1,00.

*A escola precisa de pintor para realizar serviço nos banheiros e no piso. Devido a falta de verba, o trabalho deverá ser voluntário, sem ônus. Quem puder ajudar, favor procurar a direção.

09 novembro 2014

     Desde o início da década de 1970, os brasileiros têm comemorado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. A data foi escolhida justamente por ter sido o dia em que Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra ao regime escravocrata, foi assassinado, em 1695. Seu objetivo é fazer refletir sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e sobre a questão da igualdade racial.

     Embora ainda não seja um feriado nacional, o Dia da Consciência Negra têm estimulado centenas de municípios a decretarem feriado ou ponto facultativo, a fim de comemorar e refletir sobre o significado deste dia. Em 2003, a data foi incluída no calendário escolar.

     Além da festa e da lembrança histórica, a data foi idealizada para marcar e abrir o debate sobre as políticas de ações afirmativas para o acesso dos negros, ao que um Estado democrático de direito deve oferecer a todo e qualquer cidadão: direito à educação (inclusive superior), à saúde, à justiça social, entre outros aspectos. Mesmo que o mito da democracia racial brasileira seja cantado em verso e prosa por todos os cantos desse mundo domesticado, pelo pensamento politicamente correto, precisamos ter consciência de que as feridas abertas por três séculos pelo regime escravocrata no Brasil ainda precisam ser sanadas verdadeiramente; assim como o déficit social e a carga de preconceito que o rastro desse longo período deixou.

     Neste especial, veremos como e por que o Dia da Consciência Negra foi criado. Além disso, falaremos sobre a vida e trajetória de Zumbi dos Palmares; sobre os quilombos e as comunidades quilombolas; sobre a cultura afro-brasileira na educação e quais são os municípios brasileiros que decretaram feriado nessa data.


Como surgiu o Dia da Consciência Negra

     O idealizador do Dia Nacional da Consciência Negra foi o poeta, professor e pesquisador gaúcho Oliveira Silveira (1941 - 2009). Ele era um dos fundadores do Grupo Palmares, que reunia militantes e pesquisadores da cultura negra brasileira, em Porto Alegre.

     Em 1971 (mesmo ano de fundação do grupo), ele propôs uma data que comemorasse a tomada de consciência da comunidade negra sobre seu valor e sua contribuição ao país. Escolheu o dia 20 de novembro, por ser o possível dia da morte de Zumbi dos Palmares, que ocorreu em 1695. Era era muito mais significativo e emblemático do que comemorar o dia 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura, quando o regime escravocrata estava falido e não havia mais como se manter. Abordamos melhor os aspectos históricos que levaram ao fim da escravidão e suas consequências imediatas no tópico seguinte.

     O 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez naquele mesmo ano de 1971. A ideia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado. De lá para cá, a data tem motivado a promoção de fóruns, debates e programações culturais sobre o tema em todo o país.

FONTES:

- “Dia da Consciência Negra retrata disputa pela memória histórica” (Especial “O Brasil Negro”/ Revista Com Ciência),www.comciencia.br/reportagens/negros/03.shtml
- “Morre Oliveira Silveira, idealizador do Dia da Consciência Negra” (Fundação Perseu Abramo),www2.fpa.org.br/morre-oliveira-silveira-idealizador-do-dia-da-consciencia-negra


O fim da escravidão e suas consequências para os ex-escravos

     Vale lembrar que em 1888, quando a Lei Áurea foi assinada, o Brasil era um dos últimos países no mundo a abolir a escravidão. Eternizada no tempo (e nas cartilhas escolares), como uma liberdade concedida de forma paternalista pela princesa Isabel, a abolição foi, sobretudo, uma consequência natural para anos de atuação e luta de escravos, libertos, intelectuais, jornalistas negros e mestiços, em prol de seus próprios direitos.

     Antes mesmo de 1888, a escravidão vinha dando sinais de declínio. Um pouco devido às medidas do governo imperial, que na verdade, pouco tinham de efetivas. A Lei do Ventre Livre - de 1871 - que declarava livres os filhos de mulher escrava nascidos após a lei. Porém, a criança ficava com a mãe até os 8 anos de idade e, a partir daí, o senhor podia optar entre ficar com ela até que ela completasse 21 anos, ou entregá-la ao Estado mediante uma indenização. Na realidade, poucas crianças foram entregues ao Estado, que não indenizava corretamente quem as entregava. No final das contas, grande parte ficava prestando serviços aos senhores até a maioridade. Outra lei foi a dos Sexagenários (ou Lei Saraiva-Cotegipe), de 1885, que concedia liberdade aos escravos maiores de 60 anos. O detalhe é que poucos escravos conseguiam chegar à essa idade.

     O regime escravocrata foi perdendo força graças à crescente atuação do movimento abolicionista e ao próprio desinteresse de algumas províncias em manter tal sistema. O Ceará, por exemplo, declarou a extinção da escravidão em 1885, por conta própria. Neste período, era cada vez mais crescente as fugas em massas de escravos. A elite cafeeira paulista, pressentindo o final do escravismo, apressou os planos para iniciar a imigração.

201111-leiaurea     A Lei Áurea que simplesmente declarava "extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil" (em apenas dois artigos), não atendia a vida pós-escravidão. Não havia políticas públicas que abrangessem alimentação, moradia, educação, emprego ou qualquer outra reparação de anos e anos de sofrimento. Essa "falta de visão" de nossos governantes daria brecha a muitas discriminações e desigualdades, sentidas até hoje. Oliveira Silveira - o idealizador do Dia da Consciência Negra - escreveria em seu poema "Dia da Abolição da Escravatura" o seguinte verso: "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão".

     Segundo o historiador Boris Fausto, o destino dos ex-escravos variou de acordo com a região do país. No Nordeste, a maioria transformou-se em dependentes dos grandes proprietários. No Vale do Paraíba, muitos viraram parceiros nas fazendas decadentes e, mais tarde, pequenos sitiantes ou peões para cuidar do gado. No centro urbano de São Paulo, os empregos estáveis acabaram ficando com os imigrantes, deixando aos ex-escravos somente os serviços irregulares e mal pagos. Já no Rio de Janeiro, cuja carga de imigrantes foi menor, os ex-escravos tiveram oportunidades melhores pois, antes mesmo da abolição, muitos já trabalhavam nas oficinas artesanais e manufaturas.

     Diz ainda Fausto: "apesar das variações de acordo com as diferentes regiões do país, a abolição da escravatura não eliminou o problema do negro. A opção pelo trabalhador imigrante, nas áreas regionais mais dinâmicas da economia, e as escassas oportunidades abertas ao ex-escravo, em outras áreas, resultaram em uma profunda desigualdade social da população negra. Fruto em parte do preconceito, essa desigualdade acabou por reforçar o próprio preconceito contra o negro. Sobretudo nas regiões de forte imigração, ele foi considerado um ser inferior, perigoso, vadio e propenso ao crime; mas útil quando subserviente".

FONTES:
- “Dia da Consciência Negra retrata disputa pela memória histórica” (Especial “O Brasil Negro” / Revista Com Ciência), www.comciencia.br/reportagens/negros/03.shtml
- Livro: FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2002.


Quem foi Zumbi dos Palmares

     Zumbi entrou para a história do Brasil como símbolo da resistência negra contra a escravidão e como o último chefe do Quilombo dos Palmares, um dos mais emblemáticos quilombos da época colonial.

     Ele nasceu em 1655, na região de Palmares (Estado de Alagoas). Apesar de ter nascido livre, foi capturado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso (capitão mor do que seria, hoje, o Estado de Sergipe), aos seis ou sete anos de idade apenas. Foi entregue ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo, sendo batizado com o nome de Francisco. Aprendeu português e latim, foi iniciado na religião católica e chegou a auxiliar na celebração de missas, como coroinha. Porém, aos 15 anos, resolveu que seu destino era voltar para onde havia nascido e viver como seus iguais no quilombo. Fugiu para Palmares e adotou o nome de Zumbi, que tem significados variados (guerreiro, morto-vivo, espírito presente, entre outros). Acredita-se ainda que o nome tenha vindo mesmo de "Nzumbi", título que os bantos, um povo africano, atribuíam ao líder militar e religioso.

     O primeiro grande chefe do Quilombo dos Palmares foi Ganga Zumba, tio de Zumbi. Ele chegou a assinar, em 1678, um acordo de paz com o governo de Pernambuco. Zumbi e seus partidários não concordaram com esse tratado, dando início a uma guerra interna. O final do conflito veio com a morte de Ganga Zumba, envenenado por um dos partidários de seu sobrinho. Com isso, Zumbi tornou-se líder dos palmarinos, chefiando a resistência contra os portugueses.

201111-zumbi     O Quilombo dos Palmares estava localizado na Serra da Barriga, hoje região que pertence ao município de União dos Palmares. Foi um dos maiores quilombos já existentes. Alguns estudiosos acreditam que o seu surgimento tenha ocorrido entre 1597 e 1580, quando alguns escravos fugiram de engenhos de açúcar, localizados no litoral de Pernambuco. Com o tempo, o quilombo foi atraindo cada vez mais escravos que fugiam de seus senhores, cujos engenhos foram se desagregando devido às invasões holandesas no Nordeste, no período de 1624 a 1654. Além dos ex-escravos negros, Palmares abrigava mestiços, índios e brancos pobres e/ou marginalizados.

     Muitos especulam que na década de 1670, a população de Palmares tenha atingido aproximadamente 20 mil habitantes, dividida em dez comunidades. A maior delas - Macaco - fazia o papel de capital, pois era o centro político e concentrava o maior número de habitações (cerca de 1.500). As outras comunidades tinham nomes como Subupira, Zumbi, Tabocas.

     A Coroa portuguesa e o poder colonial tentaram dar fim ao quilombo por diversas vezes. Oficialmente, foram organizadas 16 expedições, sendo 15 fracassadas devido às condições da localização geográfica do quilombo - região montanhosa-, e da grande habilidade em estratégia militar de Zumbi e seus quilombolas.

     A última expedição, comandada pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, conhecido caçador de índios, foi a última e vitoriosa tentativa de acabar com Palmares. Para isso, ele ganhou plenos poderes, dinheiro (muito, por sinal) e perdão pelos crimes passados e futuros. Seu primeiro ataque, em 1692, fracassou; mas dois anos depois ele voltou com um contingente enorme de homens e de munições. O quilombo resistiu por 22 dias, mas foi derrotado em 6 de fevereiro de 1694.

     Zumbi fugiu, mas um de seus companheiros o delatou, sob tortura. O líder dos Palmares foi encontrado em uma emboscada, na Serra Dois Irmãos, e morto em 20 de novembro de 1695. Não se sabe se ele foi assassinado ou se cometeu suicídio. Sua cabeça foi cortada e exibida em um poste em Recife. Após séculos, sua história e sua coragem foram transformadas em símbolos para a comunidade afro-brasileira.

FONTES:
- Zumbi - Biografia (Uol Educação), educacao.uol.com.br/biografias/zumbi.jhtm
- Quem foi Ganga-Zumba (Brasil 500 - Folha Online),www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/zumbi_21.htm
- Quilombo dos Palmares: verdades e mitos sobre o quilombo de Zumbi (História do Brasil - Uol Educação), educacao.uol.com.br/historia-brasil/quilombo-dos-palmares-verdades-e-mitos-sobre-o-quilombo-e-zumbi.jhtm


O que eram os quilombos e o que são as comunidades quilombolas

     Quilombos eram redutos, afastados dos centros urbanos, que reuniam principalmente ex-escravos negros que fugiam de seus senhores em busca de liberdade. Eventualmente, alguns índios e brancos pobres também habitavam os quilombos.

     Geralmente, localizavam-se em locais de difícil acesso, como no meio de matas ou em montanhas. Seus habitantes, chamados “quilombolas”, formavam comunidades que buscavam manter suas tradições religiosas e culturais; alguns chegavam a reproduzir a organização social africana. Sobreviviam por meio da pesca, da caça, da coleta de frutas e da agricultura; também praticavam o comércio dos excedentes com as populações ao redor.

     Houve quilombos de diversos tamanhos, alguns pequenos, com apenas vinte ou trinta habitantes, e outros grandes, com centenas ou milhares de habitantes. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas. Este último foi refúgio do mais célebre de todos: o Quilombo dos Palmares.

     Muitos quilombos sobreviveram e permaneceram ativos, mesmo após a abolição da escravatura, graças ao difícil acesso de suas localizações. Grande parte dessas comunidades está situada em estados das regiões Norte e Nordeste. São as chamadas comunidades quilombolas, cujos habitantes são descendentes dos antigos escravos negros. Por terem se mantido mais isolados, acabam por apresentar as tradições culturais, sociais e religiosas como nos séculos passados.

     As comunidades quilombolas são definidas como grupos étnico-raciais, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas e com ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida conforme o Decreto Federal nº 4.887, de 20 de novembro de 2003. Essas comunidades possuem direito de propriedade de suas terras, consagrado desde a Constituição Federal de 1988.

     Atualmente, existem mais de 1.500 comunidades quilombolas espalhadas pelo território nacional, certificadas pela Fundação Palmares, vinculado ao Ministério da Cultura, cuja finalidade é promover e preservar a cultura afro-brasileira.

     No site da Fundação Palmares, você pode acessar dados sobre as comunidades quilombolas de todo o Brasil, certificadas por esse órgão. A fundação presta assessoria e desenvolve programas e projetos voltados a essas comunidades.

     No Estado de São Paulo, o órgão responsável pelo reconhecimento dos quilombos e de seus territórios é o Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo), ligado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.

     Das comunidades remanescentes de quilombos apontadas, 27 já foram reconhecidas; 6 delas estão tituladas pelo governo, em terras devolutas. Para obter mais informações (em formato de relatórios) sobre as comunidades quilombolas no Estado de São Paulo, dê uma olhada na página Assistência a Quilombos no site do Itesp.

FONTES:
- Quilombo (Wikipédia), pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo
- Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, www.mds.gov.br
- Fundação Palmares, www.palmares.gov
- Itesp - Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, www.itesp.sp.gov.br


A cultura afro-brasileira e o seu lugar na educação

     Em 2003, a Lei Federal nº 10.639 incluiu o dia Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar, e tornou obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas e particulares.

     Tendo em vista que a influência do negro marcou profundamente a identidade e a cultura nacionais, o reconhecimento e a inclusão dos conteúdos relativos à África e ao povo africano no currículo das escolas foram de extrema importância, mesmo que tenham sido somente no início do século 21. Dessa forma, os professores devem incluir em seus programas aulas sobre: história da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.

     É claro que essa mudança não é automática nem simples, pois foram anos e anos de uma prática educacional onde o negro só aparecia nos pontos que discorriam sobre a escravidão no Brasil. É preciso fazer reconhecer a participação do africanos na construção do país, seu legado cultural e sua participação no desenvolvimento brasileiro; inclusive, partindo da visão dos africanos e dos afro-descendentes, não somente do ponto de vista eurocêntrico (dos europeus) ou dos ditos dominantes, que acabavam dominando as leituras didáticas.

     Conhecer e reconhecer o ponto de vista do negro e valorizar sua contribuição cultural não só diz respeito aos afro-descendentes, mas a todos nós, frutos de uma sociedade multicultural: a sociedade brasileira.

     Sobre o tema da educação das relações étnico-raciais e do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, sugerimos uma visita ao site do Ministério da Educação (MEC), onde há diversas publicações sobre o tema.


As comemorações do Dia da Consciência Negra e municípios que decretaram feriados

     O Dia da Consciência Negra não é um feriado nacional, mas existe um projeto de lei em tramitação (na verdade, o Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado nº 520 de 2003), que declara a data como feriado nacional. Ele foi aprovado em outubro deste ano e agora só está à espera da sanção da Presidência.

     Enquanto a data não é comemorada em todo o território nacional oficialmente, cabe aos municípios decretarem ou não feriado ou ponto facultativo neste dia. O Rio de Janeiro foi o primeiro município a instituir o feriado (desde 1995). Por ora, quatro Estados da União decretaram feriado estadual: Alagoas, Amapá, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. No Mato Grosso do Sul, o feriado estadual foi derrubado pelo Tribunal de Justiça do Estado, em outubro deste ano, considerando-o anticonstitucional, sob a argumentação de que esta lei interfere nas relações trabalhistas, que seria uma competência da União.

     Aqui você encontra a lista dos municípios brasileiros que decretaram feriado no dia 20 de novembro. As informações foram fornecidas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR, vinculada ao Governo Federal, e complementadas pela equipe da Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo.

Encontre aqui excelentes planos de aula para tratar do tema,  que deve ser trabalhado ao longo do ano e não somente no dia da Consciência Negra.

http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/planos-de-aula/#axzz3IbV3tt6K